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SÃO PAULO GANHA ESPAÇO MÚLTIPLO DE CULTURA: LUGAR PANTEMPORÂNEO


A inauguração contará com exposições de André Carneiro, Valdir Rocha e Wega Nery

A partir da próxima quarta-feira, dia 24, será aberto ao público, nos Jardins, em São Paulo, um novo Espaço de Arte e Cultura: Lugar Pantemporâneo. O local nasce com a concepção totalmente voltada para a cultura, e funcionará para divulgar diversos tipos de expressões culturais, como: artes visuais, literatura, humanidades e outras manifestações artísticas.

Com uma arquitetura moderna e planejada, o espaço conta com uma área de aproximadamente 1.500 m2 e tem projeto arquitetônico assinado por Antonio Dias Neto. Em quatro andares, o novo Lugar abrigará uma ampla livraria; três salas distintas para exposições e, uma ampla e moderna área para cursos e eventos culturais.

Segundo os idealizadores do projeto, a idéia de unir literatura e artes é proposital. Os livros estão no centro das atenções e os lançamentos literários serão conjugados com exposições. "Texto, imagem e objetos estabelecem um interessante diálogo entre formas artísticas. Um livro fala por si só. A exposição, também. Quando ambos são reunidos, há complementariedade de processos criativos, que ampliam o sentido cultural, possibilitando maior observação, discussão e compartilhamento de conhecimento", explica Denise Rocha, uma das diretoras.

Com um pé direito de aproximadamente 15 metros, privilegiando a entrada de luz natural por uma clarabóia central, o Lugar Pantemporâneo tem amplos corredores e paredes altas. Outro ponto alto é o isolamento acústico adequado para atenuar o ruído externo e de cada ambiente. O espaço privilegia ainda o acesso para portadores de necessidades especiais.

"A essência do projeto era criar uma edificação, que se integrasse ao espaço urbano, possibilitasse a sinergia entre os usuários e que tivesse identidade própria. Por esse motivo, a iluminação, a acústica, a temperatura ambiente e o sistema de circulação receberam atenção especial para proporcionar conforto aos visitantes e valorização das obras expostas", afirma o arquiteto Dias Neto.

Significado do nome

Formado pelo prefixo grego pan ou pantós, que significa todo, e pelo adjetivo latino temporaneu, que indica o ocorrido num determinado tempo, Pantemporâneo é um neologismo, que muito mais que contemporâneo, engloba o antes, o durante e o depois. Sem esquecer o passado, vive o presente e, espera e constrói o futuro. Algo que perdura ou mostra características inerentes a todo o tempo, independente do momento em que foi, é ou será criado.

Tomando como base esse neologismo, Lugar Pantemporâneo surgiu e foi concebido como um espaço de imagens, livros e idéias que, independente do tempo em que foram criadas, continuam e continuarão vivas e duradouras.

Espaços

Livraria - Embora São Paulo tenha excelentes pontos de leitura, a livraria do Lugar Pantemporâneo, com mais de seis mil títulos dos mais variados gêneros, apresenta um conceito totalmente diferenciado do existente, o que a faz ser o ponto central do complexo cultural.

Nela, serão promovidos lançamentos ativos, que irão abrigar não só sessões de autógrafos, mas também palestras com a participação de leitores, autores e editores para dialogar e debater sobre as peculiaridades do livro e histórias interessantes de bastidores na realização da obra literária. "Queremos que o leitor possa conhecer mais sobre o artista e saber um pouco sobre o processo que envolve a edição de um livro", diz a diretora do Lugar.

Com selo próprio, diversas exposições a serem realizadas no local contarão com o lançamento de livro sobre o artista e sua obra.

Salas de Exposições - Os espaços dedicados às exposições têm amplos corredores para facilitar a circulação e, paredes altas e preparadas para receber os mais diversos tipos de expressões artísticas, como: pinturas, desenhos, esculturas, fotografias entre outros.

Cursos e Palestras - As salas para debates e cursos a serem ministrados no Pantemporâneo, também foram projetadas com acústica e divisórias especiais, para atender todo o tipo de público, independente do número de participantes.

No último andar há um amplo ambiente para a realização de recepções, coquetéis e reuniões.

Exposições na Inauguração

Para a abertura do espaço foram selecionados três grandes nomes das artes: Wega Nery, André Carneiro e Valdir Rocha. Em salas distintas, o público poderá visitar as mostras de pintura, fotografia e esculturas. As exposições acontecem de 24 de junho até 15 de agosto, de segunda a sábado, das 10 às 18 horas. A entrada é franca

Pinturas de Wega Nery - Serão 20 quadros em óleo sobre tela. Na exposição são apresentados os trabalhos produzidos nos últimos 30 anos de produção artística. As obras representam paisagens, que não são abstratas nem tampouco figurativas, mas imaginárias de Wega. Sua obra traduz uma criatividade singular, essencial e ímpar, considerada por alguns como um vulcão em permanente erupção.

Nery foi pintora e desenhista. Nasceu em Corumbá (MS) e faleceu em 2007, aos 95 anos. Estudou pintura e desenho na Escola de Belas Artes de São Paulo e, posteriormente, com Joaquim Rocha, Yoshiya Takaoka e Samson Flexor. Integrou o Grupo Abstração e participou de importantes exposições, entre elas, a Bienal de São Paulo.

Segundo Aline Figueiredo, Wega abandona a figuração em sua pintura aderindo ao abstracionismo geométrico, chegando ao abstracionismo lírico e informal em 1962, designando suas pinturas de "paisagens imaginárias". Participou de 12 Bienais, realizou 80 mostras em várias cidades brasileiras e no Exterior, deixou um vasto legado com mais de mil quadros, comentados pelos mais expressivos críticos do Brasil e do mundo.

Fotografias de André Carneiro - São quinze fotografias. O autor multimídia registrou imagens notáveis, que mostram o seu olhar perspicaz e subjetivo. Um dos pioneiros da fotografia moderna brasileira, Carneiro traz fotos em preto e branco, e coloridas, que valorizam os detalhes e o conjunto.

Não existem muitos artistas como ele. Com 87 anos de idade, André Carneiro é escultor, hipnólogo, pintor, fotógrafo, cineasta e, sobretudo, escritor e poeta. Foi o criador da pintura dinâmica e um dos primeiros fotógrafos artísticos do modernismo brasileiro. É escritor da primeira geração de ficção científica do Brasil, conhecido pelo romance "Amorquia", lançado em 1991, pela Editora Aleph. O enredo explora uma sociedade totalitária evoluída tecnologicamente, onde o amor é algo extraordinariamente livre, e a morte, rara ocorrência do aca so.

É considerado um dos precursores do modernismo na fotografia, destacando-se entre outras obras sua célebre foto "Trilhos", tirada em São Paulo em 1951, caracterizada pela robustez da abordagem, a independência do motivo. Sua obra pontua a fotografia como suporte da arte em si mesma.


Serviço:

Inauguração Lugar Pantemporâneo - 24 de junho de 2009 (aberto ao público) e 23 de junho de 2009 (só para convidados) | Exposições: Pinturas de Wega Nery, Fotografias de André Carneiro e Esculturas de Valdir Rocha | de 24 de junho a 15 de agosto de 2009 | De segunda-feira a sábado, das 10 às 18 horas | Av. Nove de Julho 3.653 - Jardim Pauli sta | Telefone para informações: (11) 3018-2230 | Gratuito


Obs.: O local possui estacionamento e acesso para pessoas portadoras de necessidades especiais.


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